sexta-feira, 4 de março de 2011
Há alguns carnavais.
Fechei os olhos e ganhei um banho de confetes. Lembro como se fosse ontem. Como eu estava vestida, até mesmo o que pensei quando cheguei em casa. Era só mais uma tarde de carnaval. Tinha ido a mais uma matinê, com os amigos da rua, e lá estavam eles. Duas peças desse tabuleiro chamado: vida. Na hora, com os confetes, fiquei brava. Sai correndo atrás dos dois loucos, com as mãos cheias de mais confetes. Eu estava prestes a me vingar. Era o começo de uma bela amizade. Ou de um belo carma. Ainda não decidi qual lado tende a ser mais forte. Ok, brincadeira. Porém, faz sentido. O carnaval passou, vieram os constantes encontros, as tardes brincando na rua. Eu já frequentava a casa do lado. Começava a conhecer a família toda e a conhecê-la. (A irmã e também prima) Nós duas não sabíamos, mas ali sim seria o começo de uma grande amizade. Seria. Um dia. Isso porque, de cara, fui odiada. Ciumenta ela. Eu era a mais nova amiga do irmão e do primo. Bastou para levar algumas patadas. Eu, sempre muito fofinha (note sarcasmo) continuei a tentar uma aproximação. Não tinha jeito. Meu lugar era com os meninos. A ciumenta tornou-se amiga número um da minha irmã, me deixando sempre de lado. Quem ligava? Eu havia descoberto o amor. Pasmem! Uma criança segurando a mão de outra criança. Pior, achando ainda que eram maduros para isso. Era o começo de uma longa, longa jornada de encontros e desencontros, altos e baixos, tristezas e alegrias. O carnaval está chegando, fazem anos desde o primeiro e fiquei me perguntando: o que restou disso tudo? Bom, conquistei a amizade da ciumenta. Lembra dela? Então, hoje ela não é a irmã ou a prima dos dito cujos, ela é minha melhor amiga. Com os anos, aprendi que o amor pelo outros não te eleva. Amar a nós mesmos, sim. Aprendi que os anos passam rápido e levam seu melhor, ainda mais se você ficar dormindo no ponto. Percebi que havia parado naquele carnaval. Havia congelado nos meus nove, dez anos. Achei com o tempo que tinha encontrado a razão da minha felicidade. Aham, Cláudia! Mas, nem tudo foi perdido. Descobri que alguns caras existem para que outros melhores consigam nos conquistar. Aprendi muito, em relação a tudo. Amor, amizade, eu mesma. Os carnavais passaram, eu percebi. Os anos também. Mas, com o carnaval e os anos, passou também aquela fase. Aquele amor, a inocência. Não vou pular carnaval esse ano, nem fechar os olhos para ganhar um banho de confetes. O carnaval esse ano, como os outros, soma mais um ano desde o começo de tudo. E o ano passado deu-se início ao fim. O que restou? A única coisa boa que poderia ter acontecido desde sempre. Naquele carnaval eu ganhei uma família. Esse carnaval eu ainda comemoro e vou comemorar, todos os dias da minha vida.
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