terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Miau.

Acordei um pouco antes das sete já ouvindo um gatinho miando em algum lugar. Minutos depois, ao abrir a janela, minha ficha caiu: OMG, tem gatinhos de novo na lixeira! Pois é, queridos, de novo. Não é a primeira vez que essa situação lamentável acontece. Há um tempo, meu porteiro achou não somente um, mas doze gatinhos na lixeira, dentro de um saco. Veja bem: DENTRO DE UM SACO FECHADO. Um acabou sendo atropelado. Os outros foram cuidados e doados. Lembrei desse episódio e corri para a lixeira em busca do dono do miadinho. Achei um, preto e branco, dono de um olho azul incrivelmente lindo. Mas ainda ouvia outro miando. O outro, meio zangado, acabou ficando preso no capô de um carro. Horas depois, consegui pegá-lo. Depois de alimentá-los, os trouxe para a varanda do prédio. Comecei então a ligar para todos os números, possíveis e imaginários, que pudessem acabar em um final feliz. Várias veterinárias em vão. Inclusive (pasmem), ao ligar para a Sociedade Protetora dos Animais e ser informada por uma anta que NADA poderia ser feito para me ajudar. Inclusive, ela não sabia nem um número que pudesse me indicar. Não sei como expressar com exatidão a minha indignação, mas sei que não posso culpá-los por não poderem resgatar todos os animais abandonados. Apesar de achar que estão sendo mal administrados. Enfim. Muitos números depois, consegui falar com um homem chamado Matheus, que trabalha em uma loja de ração no Alto da Serra, que acolhe animais para doação (por uma pequena tava de R$10). Ainda com meu coração apertado por não saber se cuidariam bem, se seriam adotados, posso dizer que fiquei um pouco aliviada. Veja bem, moro em apartamento, se pudesse, teria pego todos pra mim, mas não há nem a possibilidade. Embora meu coração seja enorme ao ponto de quase ser atropelada, ou me arrastar e agachar no chão para poder pegar um bichinho perdido, ainda não tenho espaço para acolher os que encontrar. Podia encher o texto com dicas para que vocês adotem ou não abandonem. Apesar de acreditar muito no poder que as palavras exercem, o mundo está mesmo perdido. Há poucos que se preocupam com o próximo, quem dirá com seres indefesos. Não tem condições? Não tenha. Não tem condições de ter mais de um? Doe. Não pense nem na ideia de abandonar na rua, muito menos em uma lixeira. Pensem, gente, pelo amor! Não gostou do meu texto? Paciência. Eu precisava escrever. Você, no entanto, não tem obrigação de ler. Nem tem obrigação de concordar comigo. Opiniões merecem respeito. Com o 'recado' dado, ou seria melhor dizer: com o desabafo escrito, fica a dica: não custa nada ajudar. Nada mesmo. Aposto que ficará se sentindo como eu agora. Porque a história teve um final mais feliz do que eu imaginei, quando consegui contatar a loja. A fofa da Luiza, amiga da minha prima, ficará não somente com um, mas com os dois. Sabe o que é isso? É Deus escrevendo certo, ainda que as linhas estejam completamente tortas.

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