sexta-feira, 15 de abril de 2011

Onde clica pra comprar segunda-feira?

Não é que eu não tenha mais nada para fazer. Ter eu tenho. Posso decidir ir em muitos lugares que não tenho ido ultimamente. Amanhã é sexta-feira. Até um dia da semana vai jogar na minha cara que estou sozinha nessa. Que o barco furou mesmo. Nunca, nunca mesmo, quis tanto que a semana passasse devagar. Alguém no mundo já desejou viver pra sempre na segunda-feira? Não? Bom, pode ser terça, quarta, quinta, mas sexta. Hum.. dessa vez, por favor, não me dêem a sexta-feira. Não é drama. Juro que nem gosto de ser dramática. Não seriamente. O problema todo é que eu não sei o que fazer amanhã. Já está difícil por si só. Amanhã será, no mínimo, angustiante. Em geral, eu acordava em pânico às sextas-feiras. Torcendo para que a manhã e a parte da tarde passassem beem rápido. Eu sei que sou bem grandinha. Já não sou uma adolescente, não posso me dar ao luxo de reclamar. O mal do mundo é a falta de amor. A falta de planos para a sexta-feira. Falta de frios na barriga. Abraços apertados e beijos sinceros num belo reencontro. Ainda pior é saber que teria feito tudo se tivessem me permitido, para não perder nada. No fundo, há muito por trás disso. Eu perdi foi tudo de uma vez. Sábado vai chegar também. Uma semana. Ouch! Sou mesmo tão sentimental. As amigas vão aparecer. E os assuntos serão os mesmos que não saem da cabeça: eles. Ou o outro assunto, muito comentado: a gente que acabou ficando para trás. Com aquele pé na realidade, outro no sonho. Fantasiando que é apenas uma nuvem negra, mas que logo ela irá passar. Ah, a esperança! Essa vaso ruim que nunca quebra. Bom, ainda estou em tempo de sentir. Só faz uma semana. O tempo vai passar depressa (espero), daqui a pouco será apenas uma lembrança. Não vou mais contar os dias e nem vai doer mais esse tanto. Não vai? Né?! Como não vai doer? Se até hoje me doem outras despedidas. Li tanto sobre e ainda não aprendi a lidar com ela. Se bem que, Caio Fernando; Tati Bernardi; Fernanda Mello; Brena Braz; Martha Medeiros e até Clarice Lispector, não pareciam saber lidar também. Eles possuem ou possuíram - como eu, aquela esperança de que vai chegar uma mensagem. Ou que vou receber aquela ligação, que vai mudar o rumo dessa história que agora vai mal. Me julguem boba, se quiserem. Já ando acostumada. Começo a sentir em silêncio. Sem vontade de dividir o que ando pensando, porque o que vou ouvir eu já sei. É o de sempre. "Aaaaah, deixa de ser boba!" Ninguém entende. A maioria não se permitiu passar por nada parecido. Muito menos conhecem o sujeito, como eu. Só me resta escrever. E silenciosamente, desejar para que hoje, quinta-feira, o dia permaneça congelado. Que eu repita o que fiz hoje, todos os dias. Mesmo que vire um tédio. Nada se compara ao medo de passar pela sexta-feira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário