segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Minha teoria.
Tem gente que não passa debaixo de escadas. Não gosta de ver gatos pretos na sexta-feira. Não deixa o chinelo virado. Tem gente que não usa roupa velha na virada do ano. Não fala sobre um plano para que ele dê certo. Tem gente que acredita em tudo isso e mais um pouco. Sinceramente, não sei se me encaixo nos que acreditam ou nos que acham isso um monte de besteiras. Tudo bem, viro o chinelo quando me dou conta que ele está de ponta cabeça, mas se me perguntar por que, não vou saber responder. Já brinquei de ficar decepcionada em avistar um gato preto em uma sexta-feira, mas convenhamos, que bobagem! Sempre passei e continuo passando embaixo de escadas. Provavelmente, já tenha vestido algo usado na virada do ano. Mas, confesso, tenho uma mania. Na verdade, não sei se chamo de mania, superstição ou toc. É, pode ser toc. Algo pouco desenvolvido. Ou só uma mania boba. Superstição se encaixa nisso? Vou chamar de teoria. Não gosto de números ímpares. Sempre acho que não dão sorte. E por incrível que pareça, sempre que me acontecem coisas ruins, lá estão eles. Pode ser só uma teoria. Pode mesmo. Por via das dúvidas, o volume da tv está sempre no número par. Do som do quarto, carro e celular também. Não gosto de olhar a quantidade ímpar de mensagens no meu celular. Muito menos de seguidores no twitter. Ah, também nunca twitto apenas uma vez. Fora as outras coisas. Número de anéis, cordões ou pulseiras. Viu. Preciso me tratar? Sou mesmo louca, não é mesmo? Bom, em minha defesa direi: eu não percebo que faço (ou fazia, até agora) até ter feito. Até pensar no que fiz, o que levou um tempo. Outra defesa, acho que só possuo essa esquisitice. Não tenho tiques nervosos. Não me importo se tocarem em meu braço. Não demoro três horas no banho. Não tenho loucura por limpeza. Sim, gosto de ser organizada. Mas, isso deveria ser obrigatório. Afinal, ninguém gosta de viver num chiqueiro. Não piso somente nas pedras brancas quando passeio em Copacabana. Não conto mentalmente quantos passos levo de um lugar a outro. Não penso se vou pisar com o pé direito ou esquerdo ao sair da cama. Não sou assim tão fora do normal. Só que talvez, estivesse certa no fim do ano passado. Pensei: droga, lá vem um ano ímpar. Só me faltava essa. Tudo estava correndo bem, até um mês ímpar fazer com que comece a dar mais importância a minha - nada tão fora do normal - teoria.
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