terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dias contados.

Não há força de vontade, muito menos vergonha que impeçam que eu escreva. Já tentei. Deixei de escrever, mas só piorou a situação. Sem registrar, as idéias permanecem na minha cabeça, emboladas entre um tema e outro. Acabo eu, embolada em mim mesma. Foi então que decidi fechar o blog. Fechá-lo significaria não me envergonhar por ter registrado o que sinto. Não ter meu espaço invadido. Não ser descoberta. Acredito que ainda escreveria, mas somente em rascunhos que lotariam as gavetas da minha bancada. Foi assim que comecei a copiar e salvar todos os antigos textos e terminar o livro que pensei em fazer só para ter de recordação. Ainda farei o livro, como disse. Até ontem ainda estava copiando e colando os desabafos de várias e várias noites. Quentes ou frias. O problema foi a sensação que tive ao me ver, realmente, decidida a não mais escrever. Criar o blog foi um dos melhores conselhos que recebi. Além do incentivo, elogios. Portanto, era como se não me reconhecesse. Como se tivesse apenas desistido. E pior, não faço esse gênero. Se alguém perguntar desde quando escrevo, não saberia responder. Nunca fui boa em falar. Não que eu seja boa em escrever, mas mesmo assim, sempre escrevi. Bilhetes ou cartas. Textos ou redações. Sempre me expressei melhor por meio da escrita. E olha que sou uma pessoa falante. Muito falante. Então, por que deletar o blog? Por que tomar essa decisão de não escrever? Tenho muitos porquês. Que tomariam tempo e somariam muitas linhas a esse desabafo. Por hora, confesso, não há desilusão no mundo que me convença a largar a caneta (ou a deixar de apertar esses mini botõezinhos do meu celular, como agora). O blog estava com os dias contados porque o amor havia acabado. Porque me envergonho de sentir o que sinto e me envergonho mais ainda em me expressar em linhas. Pensamentos soltos traduzidos em palavras, como canta o Jota Quest. Não escrever seria não ser. Não me ser. Seria deixar parte da minha essência de lado. Não escrever sobre qualquer que seja o assunto também. Logo, tomei a melhor das decisões. Não vou deletar o blog. Não vou deixar de escrever. Ainda sentirei e continuarei a me envergonhar por isso. Ainda colocarei o que sinto nos desabafos em noites ou dias frios. Ainda. Não vou ouvir de ninguém que faço algo por causa de ciclano ou beltrano. Não mesmo. Qualquer que seja o texto, mesmo que fale de alguém, terá sido escrito exclusivamente por mim. Literalmente, claro.

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