quarta-feira, 6 de julho de 2011

Fazia frio dentro e fora de mim.

Acordei com a ansiedade da espera de resultado, e-mail e notícias. Primeiro, pelo celular mesmo, conferi o vício diário e lá estava. Uma mensagem dizendo muito sem me dizer, realmente, nada. Entre respirar fundo e o ronco que minha barriga deu por sentir fome, taquei o bendito no meio das almofadas e corri para a cozinha. No geral detesto ficar sozinha. Detesto comer sozinha. Hoje não. Preparei o chocolate quente e o sanduíche com uma calma danada. Na mão, a faca e o pão. Na cabeça, revejo filmes dos últimos dias. Nada a acrescentar, pensei na hora. Nada. Além de silêncio. Vazio e um pouco de angústia. Justamente ela. A tal da angústia. Para completar, lembrei que deveria entrar no site da faculdade para obter o resultado. Hora ansiosa, hora tranquila. Pensando: ah, é particular. E pensando no que me disseram: não vá se garantir, porque não é fácil. E na verdade, não era mesmo. Setenta questões e uma redação com duas propostas super importantes. Quase terminando o café quando não me aguento e levanto da bancada da cozinha. Vou para o quarto e ligo o computador. Aqueles pensamentos anteriores insistindo em me atormentar e eu pensando: não, agora não! Abro o site, preencho meu cpf e voilá. Ah, tá. Trezentas informações e nada dizendo que fui aprovada. Putz! Devia ter ouvido quando disseram que não era para ir garantida. Não mesmo. Pego o telefono e disco para a faculdade. (...) A moça do outro lado pede para que eu leia o que estou vendo e puuuuuuuuuuuuuuuuuutz, COMO ASSIM? Cê tá me zoando! (É, eu disse isso, no telefone para a moça.) Ela disse que passei em primeiro lugar. PRIMEIRO. Não sei como fiz isso. Ou sei. Só não sabia que fosse dar certo. Fiquei eufórica. Ah, uma notícia boa! E adivinha? Enfio a mão por entre as almofadas e encontro o celular. Escrevo rápido a informação principal e envio. Enviei outras vezes, para a maior quantidade de incrédulos possível. Desse minuto até agora, já recebi alguns telefonemas e mensagens. Já não estou mais eufórica. Os pensamentos que antes me angustiavam, tornaram a angustiar. Agora com um item novo. O primeiro a receber a notícia, sequer se deu o trabalho de me parabenizar.

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