segunda-feira, 25 de julho de 2011
Fica, tem abraço.
Martha Medeiros escreveu um texto incrível. Nele, ela se questionava onde seria o melhor lugar do mundo. Fiquei me perguntando isso, no meio do texto. Onde, pra mim, é o melhor lugar do mundo? Pensei: não viajei para milhares de lugares, mas deve haver algum que me faça querer voltar. Que eu ame cada detalhe. Cheiro. Textura. Voltei ao texto. Foi então, que li: "afinal, onde é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço." Caramba! Ca-ram-ba! Achei fofo. Fofíssimo. Ela descreveu situações fantásticas envolvendo um simples abraço. Favoritei a página. Mas, só. Não publiquei, só fiquei com o texto na cabeça. Até ontem. Quando parecia que o melhor lugar onde eu poderia estar era, realmente, dentro daquele abraço. Lembrei do texto na hora. Eu havia entendido. Nossa! Havia mesmo entendido. E fazia sentido. Muito sentido, pra falar a verdade. Tive aquela sensação de tranquilidade. Ao mesmo tempo, senti medo daquilo escorrer por entre os dedos. Percebi como esses momentos são frágeis. E como eles nos são únicos e tão caros. Cabe mesmo muito dentro de um abraço. Cabem sentimentos. Cabe um, dois, três - ou até quatro - sujeitos. Cabem sorrisos. Cabem gargalhadas. Cabem lágrimas. Conforto. Cabe elogio. Cabem sermões. Cabe entendimento. Cabe o silêncio. Cabe o que possuir de mais sincero. Cabe tudo isso e mais, entre dois corações. Respiração. E até a falta de ar. Coube o que senti. Coube carinho. Ternura e até medo. Cabia nós dois. Não cabiam palavras. Não cabia nada além do silêncio. Fiquei pensando: poderia estar na praia. Numa montanha. Poderia estar num restaurante na argentina. Poderia estar rodiada pelas minhas amigas em uma jantinha. Poderia estar dançando. Poderia estar deitada lendo um livro. Poderia estar com outras pessoas. Ainda assim, aquele abraço - naquele momento - era, pra mim o melhor lugar do mundo.
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