
As pessoas, geralmente, preferem respostas simples. Curtas. Não gostam de detalhes. Já ouvi vezes e vezes: Tá, e?? Querem logo o ponto final. Perdem os pingos no is. Não apreciam os detalhes. Até ontem, numa noite agradável no centro da cidade. Entre uma colherada e outra no sorvete, ele perguntou: mas por que azul? Tive que pensar duas vezes para organizar as idéias. Eu sei porque é a minha cor favorita, só não sabia porque seria interessante dizer. Me recusei a dizer de primeira, mas ele continuou me olhando, aquela espera nos olhos. É uma resposta simples, continuei pensando. Azul. Por que azul? Levei a mão no cabelo, envergonhada. Ia parecer bobo, eu tinha quase certeza. Olhei para ele e disse: Quando eu morava em Toledo, às vezes, sentava no puff debaixo da janela do meu quarto para ler. Gostava de olhar o céu azul, dois tons antes de anoitecer. Céu azul, azuuuul de um dia muito frio. Olhei para meu vestido azul e a colher branca do sorvete que eu segurava, esperando ouvir o que ele estava prestes a dizer. Ele me olhou e disse: azul de inverno. Adoro inverno. Pronto. O que antes parecia bobo não era mais. Olhei para ele de novo e sorri. Pergunta simples, resposta com detalhes. Afinal de contas, eu poderia ter dito: porque sim. Ele não se importou de ouvir os detalhes. Continuava me olhando com curiosidade. As pessoas geralmente preferem respostas simples. Geralmente, eu pensei de novo, sorrindo. Era minha vez de perguntar.
Bonitinho, e profundo.
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