quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Só diz.
Diz que seu celular caiu num buraco no meio da rua, no meio de uma tempestade. E que o buraco estava lotado de água. Pronto, me diz que foi-se seu celular junto com meu número. Diz que teve amnésia. Que não está em casa no seu computador e esqueceu todas as senhas de todas as redes sociais e e-mails possíveis. Diz que não parou de pensar em mim desde a hora que me olhou pela última vez antes de eu sair do carro. Diz que adorou as milhares de besteiras que eu falei. Adorou também a forma como consigo ficar vesga de um olho só e como consegue repousar a cabeça em cima da minha cabeça. Diz que adorou o presente, adorou minha letra horrorosa num rascunho simples que escrevi antes de receber a sua ligação dizendo que estava chegando. Diz de novo que eu sou muito fofinha. Diz que foi na Lapa, na Barra, na Urca. Diz as quatro da manhã 'Oi' em uma mensagem só para me incomodar. Diz que dormiu bem ou que dormiu mal. Pode até dizer que é complicado e me fazer pensar em mil argumentos para te convencer que não é. Diz que eu minto. É, pode dizer que eu minto. Tenho tempo para fazer você pensar o contrário. Mas, diz. Diz alguma coisa. Manda um sinal de fumaça. Um SOS. Uma sms. Um adeus, até nunca mais. Só diz. O silêncio não me ajuda em nada.
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