sábado, 18 de junho de 2011

Relembrando os velhos tempos.

Nunca escrevi sobre como gostaria de fazer alguma coisa. Nunca listei o que já fiz e o que gostaria ainda de realizar. Certa em escrever somente sobre o que sinto. Hoje acordei um pouco (a lot) pensativa. Quando era pequena sonhava em ter um urso panda. Pode isso? Não havia nada mais bonito, pra mim, do que aquelas bolinhas peludas. Sempre que ia para a escola, e acabava encontrando gatinhos perdidos, os levava para casa. Meu pai tentou, algumas vezes, me fazer desistir dessas missões. O último gato que capturei em uma lixeira, pequenino e magricela, levei para casa e dei o nome de Rafael. Rafael era preto e branco, lindo. Meu panda. Um pouco vira-lata, mas ainda assim, meu querido e fofo panda. Ele cresceu e um dia desapareceu. É só o que lembro. Filmes sobre minha infância andam presentes desde anteontem, quando achei umas fotos minhas de quando era pequena. Meus cabelos encaracolados e meus dentinhos separados me assustaram, de início. Eu mal lembrava que tive dentes separados. Lembrava do cabelo cacheado, das gordurinhas e da minha tagarelice. Sempre falei muito. Sempre fui simpática com todos. Mesmo tendo vergonha, o que durava pouco. Gostava de dançar também. Ah, eu adorava as festas infantis, onde eu podia me acabar na pista. (Risos!) Nunca gostei de sorvete de chocolate. Quando era menor, não comia batata frita. Bolo de festa nunca encheu meus olhos. Mas, bolinho de chuva.. aah, os bolinhos de chuva. Só de falar me dá água na boca. Confesso, sempre fui chata para comer. No terreno da minha casa tinha uma árvore de carambola. Embaixo, um banquinho. E me sentava com uma prima, que adorava morder - por sinal, e brincava por horas. Panelinhas e mais panelinhas. Bolinhos de lama e carambola. Cortava para poder enfeitar meus bolos. E servir como se fossem estrelas comestíveis. Tive uma fase channel, narizinho e outra onde meu cabelo era tão grande, mas tão grande que mesmo prendendo ele batia no meio das costas. Já perdi a conta das vezes que parei no hospital por machucar alguma coisa. Sabe-se-lá quantas vezes engessei os braços. A perna, uma vez. Uma dolorosa vez que teimei em sair, quando me disseram não. Desci as escadas aos pulos, como sempre fazia, mas acabei caindo feio e rolando uns três degraus. Resultado: quase um mês com o pé engessado. Não podia ir a escola, não podia brincar com meus amigos na rua, não podia sequer chegar na varanda. Até o dia que achei que estava boa o bastante, enfiei o pé no tanque e tirei eu mesma, aquela geringonça. Ficava depois da hora na escola por não fazer duas vezes cada tabuada. Dona Izolina, não perdoava. Gostava da Tia Celina, a senhora simpática, dona da cantina. Da professora Cristiane. Nunca me esqueço dela falando sobre o que significava a palavra ecologia. Eu e minha irmã fazíamos gincana de música. Colocávamos o som do pai e usávamos a vassoura para fingir que era o microfone. Quando ela cantava eu era a fã enlouquecida e vice-versa. Nada pior do que meu medo de escuro. Anos e anos dormindo com o abajur ligado. Sem levantar para ir ao banheiro ou beber água. Morria de sede, mas ficava na cama, firme e forte. Escrevia bilhete para as amigas, a família. Sempre fazia cartões de aniversário ou os de amizade. E guardo cada um que recebi em troca. Nunca gostei de tirar foto. Sempre me esquivava em qualquer que fosse a comemoração. Meus trabalhos de escola em grupo, sempre os fiz sozinha. Detestava ter que aceitar a opinião dos outros. E detestava quando faziam corpo mole. Logo, para quê estressar? Fazia sozinha e colocava os respectivos nomes. Morria de medo de avião, mas quando andei a primeira vez, fiquei apaixonada. Se pudesse, viajaria a todo momento naquelas maravilhas. Nunca fui encrenqueira. Eu tinha era medo de apanhar. Debochada? Eu?! Imagina! Até hoje não consigo disfarçar nada. Sinto vergonha de mim. (Ai, ai) Nunca fui a mais bonita da sala. Nunca fui a mais inteligente. Talvez, a mais amiga. Acredito que esse título eu mereça. No ensino médio aprendi que colar era uma arte. (Que horror!) Me vinguei de uma fulaninha que sempre colava de mim nas provas de inglês, mas nunca queria passar cola. Fiz os melhores amigos do mundo. Eles continuam na minha vida. Fiz muitos amigos. Uns, nunca mais vi. Outros, ainda vejo entre um passo e outro. Dizia que casar era coisa de gente louca, mas confessava que casaria se fosse com uma certa pessoa. Pulei carnaval. Pulei corda. Pulei os obstáculos. Quanta coisa a gente esquece e, de repente, vem tudo à tona. Me esqueci de tantas coisas boas que vivi. Escrevendo agora me vem à cabeça milhares de outras coisas. E olha que, somente o que já fiz. O que quero fazer vou listar, e outro dia volto para poder desabafar.

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