Sinto uma enorme e desesperadora saudade da escola. Hoje, trabalhando diretamente com crianças, tenho momentos de pura nostalgia. Sem comparações, claro. Meus alunos são simples. Mal tem o que levar para escrever. Mal tem o que vestir, e apesar de terem o que comer, não sabem como é ter oportunidade de escolher na cantina. Sinto falta de correr escada a baixo para poder pegar um bom lugar na fila. Lembro de pensar no meio do caminho: hum.. hoje é segunda, tem pão de batata de frango com catupiry (meu favorito). Sinto falta de sair de uma fila espremida e avistar minhas paranaenses sentadas ao sol, esperando por mim. Com mapa de sala, além dos bilhetes, essa era nossa chance para colocar os assuntos em ordem. Falando em bilhetes. Não tem como deixar passar a vez que transformamos um bloco de notas rosa em um bloco de notas de fofocas rosa, ainda mais sendo pegas. Tivemos a infelicidade de ouvir o professor de historia, meu querido Inácio, ler trechos daquele bloco numerado para toda a turma. Foi constrangedor, mas hilário. Não tem como esquecer a vez que eu e minha Diva tentamos deixar um certo alguém preso do lado de fora - sentando atrás da porta, quando com um golpe ele abriu a porta prendendo os dedos dela. Quase desmaiei no banheiro, junto com ela. Lembro também da vez que inventamos, com o professor de biologia, a música que cantaríamos pelos dois anos seguintes, para o querido aluno novo, vindo do paraguai. Aquilo ainda não me sai da cabeça. Lembro das tardes de monitoria. Onde deveríamos assistir aula e não morrer de tédio e sono. Sinto falta de conversar com o Manoel - queridíssimo porteiro - na hora da saída, enquanto esperava alguém me buscar. Sinto saudade de todas aquelas cores. Daquele prédio que chamei de brega tantas e tantas vezes. Preciso dizer que escorregar nas escadas da entrada principal num dia de chuva não dá saudade, mas sinto muita falta de sentar no grilo e tomar uma coca-cola com a galera. Ou de apenas sentar por perto enquanto tomavam tererê. Sem contar a vez que tentamos colar em biologia e tivemos uns amigos descobertos. Tremi por minutos a fio. Biologia não era meu forte, mas zerar por cola, seria demais. Acabei não sendo descoberta, mas sentida por ver três amigos encrencados. Encrenca. Tem como esquecer quantas vezes fui parar na sala do Claucir (clau clau, para os íntimos)? Hércules, seu fiel espetor, era praticamente um amigo. Sempre nos fazendo companhia nos corredores. Só de pensar nas aulas de produção de texto bateu aquele sono. Preciso continuar? Datashow, meus amigos. Luzes apagadas. Soninho garantido. Ainda assim, aprendi muito com a professora Sonia. Sempre corretíssima e detalhista. PARA TUDO! E o que era o leloucura? Sinto muita falta de ouvir ele me pedir para dizer: perdi o esqueiro na esquina da escola (lê-se carioquês). Tche, tche, tche! Caramba! Quanta saudade acumulada. Quantos momentos havia esquecido. As colas no braço, as balas de beijo, os olhares. Os perdidos da turma. Os espertos. Os descolados. Os bonitinhos. Os feinhos. Os legais. As malvadas. Os amigos. Sinto falta do meu sempre companheiro de fundão, o grande cara. Meu melhor amigo. Sempre com a brincadeira certa para me fazer rir por horas. Nunca esquecia que meu bis preferido era o branco, e vez ou outra aparecia com um pra mim. Sinto falta das manhãs com minhas amigas. Sinto falta de ver a Andi sair lá da frente e me fazer companhia, sem me deixar dormir, lá atrás. Sinto falta de olhar para a Marina no meio de uma aula e outra e ganhar um super sorriso. Sinto falta de jogar bilhetes para a Mertz fazendo ela não aguentar de vontade de rir. Sinto falta do Charles implicando com o Thi. Sinto falta de ver a Bruna com vontade de dormir. Sinto vontade de esticar o braço e poder tocar o braço da minha grande amiga Stefhani. Sinto falta de fofocar com a Iza. Sinto falta de pedir para os meninos da fila de trás pararem de colocar o pé na minha cadeira. Sinto falta. Sinto falta dos professores. Dos meus colegas de classe. Dos funcionários. Até das irmãs. Tive a oportunidade de estudar em uma escola incrível, bem estruturada. Com todas aquelas regras. Sem contar aquela blusa amarela com azul, simplesmente medonha. Tive a honra de estudar com a intercâmbiaria mas fofa do mundo. Nossa alemãzinha querida. Companheira de jantinhas, aulas chatas. Que dividia seus livros, conhecimentos e uma vontade incansável de comer pastel de chocolate. Sinto falta de tudo. Tu-do. Dá pra acreditar? A gente não se da conta do quanto tudo é incrível até perder de vista. Exatamente como diziam os textos de literatura. A dor da perda. Do amor perdido. Coração partido. É isso. A gente ama o que vive, mas só descobre tempos depois. Quando já não é nada recente, e aquilo tudo vira uma outra época. Vira passado. Saudade. Acho que é assim pra todo mundo, mesmo sendo único - e diferente - para cada um. Tempos que não voltam. Outros tempos. Aquele tão querido tempo: os nossos tempos de escola.
Ah, Juliana esse texto trouxe saudades imensas do Incomar, totalmente lindo e nostálgico ler ele. Tive de destacar alguns pintos: ''hoje é segunda, tem pão de batata de frango com catupiry (meu favorito. [...]mas sinto muita falta de sentar no grilo e tomar uma coca-cola com a galera.''
ResponderExcluirBons tempos...