domingo, 28 de agosto de 2011

O que sobrou.

Dormi, ou seria melhor dizer: tentei dormir, mas a pergunta que me deixou um tanto ofendida, ficou grudada como um nó na garganta. Senti calor, tirei o cobertor, o agasalho, sequei as possíveis lágrimas e virei para todos os lados umas quinhentas vezes. Não sei nem por onde começar. Primeiro, talvez eu devesse escrever que não gosto de dar as costas para ninguém. Provavelmente, as possíveis lágrimas fossem por isso. Detesto acabar o dia com aquela pergunta irônica: por que fui sair da cama hoje? O que sobra? Não me ofenda. Será mesmo que é assim tão invisível? Eu achando que estava fazendo um bom trabalho em demonstrar o que sinto. Em deixar óbvio em letra, música, olhares e sorrisos o que ando sentindo aqui dentro. Não sobra nada, na verdade. Não é o que sobra, mas o que tem. O que tenho. Como tenho. No meu modo de sorrir quando te vejo. Como olho por sobre o ombro para te ver de longe. O modo como sinto vontade de sorrir por te ver sorrir. Às vezes que senti falta do seu colo. Das histórias que conta. De como deixei que fizesse parte da minha vida. Como acordo feliz, pronta para alegrar seu dia com um bom dia. Esta infestando a minha vida de valores, conhecimentos, abraços e frios na barriga. Que são sempre bons. Sempre inspiradores para um texto ou dois. Não é óbvio? Mesmo? Será que já não disse tudo que poderia dizer? Será que não é o suficiente? Aí é que está. Acho que não estou convencendo. Não estou passando nada verdadeiramente. Não quero calor. Não quero arrepios. Não quero falta de ar. Quero presença. Como já havia observado, se é para ter presença.. Ah, meu bem, nada mais importa. Olha, pior do que o abismo dos serás em que me encontro, foi ter que ouvir e responder uma pergunta dessas. Tão sem cabeça. Sem nexo, sem conhecimento. Muita coisa ficou clara. Infelizmente. Ficou claro e distante, como sempre. Me encontro agora refletindo. Tentando entender o que fiz de errado. O que faço de errado. Quando demonstro menos. Quando demonstro mais. O que é óbvio. O que não é. Temos os mesmos buracos no peito. Não tenho muitas dúvidas quanto a isso. A única diferença é que ainda digo. Sinto. Sem muito medo de não dar certo. Pelo menos, senti, não é? Ah, senti. Senti e sinto. Vivo. Sorrisos e frios na barriga. Quase sete meses de perguntas sem resposta. Todas as incertezas. Mais um dia. Menos um. O que será que vai sobrar dessa vez?

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