quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ainda não me acorde.

Me acorde quando o mês acabar. Não, me acorde quando o ano acabar. Ou melhor, me acorde quando toda essa vontade de chorar somada com angustia, vergonha e medo resolverem me deixar. Me acorde quando não mais existir motivos que me impeçam de sorrir. Me acorde quando eu deixar de ser boazinha e passe a ser o tipo poderosa, aquele tipo bem poderosa, que li no livro. Me acorde quando for primavera. Mas, uma primavera sem sustos, nem anseios. Me acorde quando meu coração estiver pronto para bater tranquilo, sem nó algum. Sem dor alguma. Me acorde no verão. Quando for me levar a um lugar incrível que eu possa fotografar e me distrair. Me acorde quando nenhuma rede social possa apontar meu fracasso amoroso. Me acorde quando pensarem em mim. Quando sentirem minha falta, verdadeiramente. Me acorde quando forem me dizer verdades. Somente verdades, mesmo que doam. Me acorde quando me quiserem por perto. Quando, realmente, me quiserem por perto. Me acorde quando as pessoas decidirem ficar. Decidirem se aproximar e nunca mais me deixar. Me acorde quando distâncias não existirem mais. Me acorde com a visita das minhas amigas. Para ir a um show inesquecível ou um filme de tirar o fôlego. Me acorde quando achar que devo escrever. Quando achar que estou pronta para seguir sozinha. Me acorde quando não houver brigas. Guerras. Mortes. Me acorde quando eu puder ver tudo. Sentir tudo. Me acorde quando tiver chocolate branco. Frios na barriga. Poemas não lidos. Me acorde para ver o sol nascendo. Para ver as crianças crescendo. Para me ver renascendo. Me acorde quando sentir cheiro de terra molhada. Quando for em um balanço. Quando tiver sorvete de creme. Me acorde quando músicas não me façam querer chorar. Quando imagens não voltem a me perturbar. Nem a saudade sufocar. Me acorde para não dormir pensando estar sozinha. Me acorde para a vida. Me acorde. Não hoje. Mas, ainda me acorde um dia.

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