sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A camisa jeans.

Mulheres, geralmente, têm opiniões formadíssimas sobre o vestuário masculino. Tenho amigas que adoram ver homens sarados de regata. Meu bem, no meu caso, nem um super-ultra tanquinho me faria gostar delas. Me importo sim se o cara está usando uma bermuda surfista quando poderia estar apresentável em uma calça jeans. Olha que eu costumava adorar ver esse estilo por aí. Adorava tênis de skatista. Bonés. Deixei de gostar - e reparar - desse estilo há alguns anos. Passei a reparar em homens que usam rosa. Que colocam uma camisa social. Que deixam a barba por fazer. Que cuidam sim do cabelo. Que usam pólo. Que vestem terno. Reparo em peças xadrez e tricôs de bom gosto. Pode isso? Passei a julgar um cidadão pelo seu estilo. Não que isso me influencie totalmente, mas ajuda. Também não gosto nada de correntes, ou pulseirinhas. Acho desnecessário. Vale ressaltar algo que achava terrível. Digo, terrível mesmo. Camisas jeans. Aquelas, parecidas com jeans, mas de um tecido mais leve. Cara! Eu abominava. Juro! Usei o tempo verbal certinho. Esse ódio todo pelas coitadas passou. Engraçado. Ou não tão engraçado. Já que tem um motivo específico. Talvez não tivesse encontrado alguém que ficasse bem usando uma dessas. Meu pai tinha uma. Sentia vontade de escondê-la dele. Ou me esconder, quando ele resolvia usar. A primeira vez que vi um certo alguém usando uma dessas, pensei: Hum, jeans. Passei um tempo analisando. Prestando atenção na peça. Em como não me incomodava. Como o conjunto agradava meus olhos. Mas, como?! E todo aquele terror que deveria ter sentido? Hã, terror?! Que terror, o que! Durante meses, ao usá-la, ele arrancava um sorrisinho meu, sem ao menos saber. Ficava pensando: como as coisas mudam, J. Se mudam! Dia desses vi um homem na rua com uma parecida e senti um certo terror. Mas que meleca é essa, homem?! Pensei. Com tanta coisa para vestir. Essa esquisitice repentina, sei bem porque. Não era a camisa jeans. Era só mais uma, lembrando aquela. Uns três/quatro dias (se não me engano) passaram. Um telefonema, seguido de um encontro. Lá estava, a peça que quebrou uma barreira enorme em relação ao guarda-roupa masculino. Sentei no meio fio, bem do lado da camisa, pensando: olha, você aí! Pensei que não a veria de novo. A noite chegou. Com ela, o friozinho. Ganha um doce quem adivinhar o que acabou me esquentando.

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