sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tentando não escrever. Não pirar. Não esquecer.

Ocupei meu dia inteiro. Preenchi cada espacinho que teria livre. Fiz mil coisas. Mesmo. Fiz mil coisas e ainda fui resolver outras mil na rua. Voltando, depois de conhecer no ônibus uma senhora que acrescentou muito à minha vida, dei de cara com a lua. Aliás, alguém viu a lua? Cara! A lua hoje me tirou o ar. Juro. Andei do ponto de onde desci até o portão do prédio meio que namorando ela. Quase chegando, um avião passou bem no meio dela. Uau! Me peguei parada, no meio da calçada, olhando isso. Pensando mil coisas nesse pedaço em que caminhei até perder o fôlego. Não vou listar tudo que veio à cabeça, mas foram tantas coisas. Muitas mesmo. A lua, naquele momento, mostrou que não basta querer esquecer. Simplesmente não dá. Não é possível deletar tudo que passou. Digo por mim. Não consigo esquecer, simplesmente. Coisas que me fizeram sorrir. Que me deixaram sem ar. Com o coração acelerado. Fato. Bom, um fato triste. As lembranças existem. Com elas, a sensação de que serei esquecida. Virarei lembrança. Algo amontoado em algum lugar do passado. Não é drástico isso? Ô, lua, não faz isso comigo. Pensei na hora. Não me paralise no meio da calçada, mostrando que não esquecerei nada. Porém, serei esquecida. Me faz um favor? Volta a estar no céu quando eu estiver com o coração mais quentinho. Caso contrário, me deixe um pouco sozinha. Não vá aparecer no meu céu. Me tirando o ar, me fazendo lembrar. Aqui, sozinha.

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