quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Escrevendo, escrevendo..

Decido que não vou mais te ligar. Que não vou mandar nenhuma mensagem. Nenhum e-mail. Decido que não vou mais escrever sobre você. Pode notar que algumas coisas, por mais difíceis que sejam, consigo cumprir. Só não sei se consigo não escrever. Bom, não consigo. Já que estou aqui escrevendo. Agora, nesse momento. Sem olhar para qualquer rascunho que seja. O problema são essas músicas que insisto em ouvir. Elas me lembram você! E lembrar você dá um nó danado. Nó na garganta, nos dedos, na alma inteira. Noite retrasada acordei assustada com um sonho. Nada terrível. Era apenas um sonho. O susto foi perceber que minha ficha está mesmo caindo. Está caindo e me deixando cada vez mais longe. Não queria dizer que me arrependo de tudo. Fico conversando sozinha, ou não tão sozinha, antes de dormir fazendo perguntas que ainda não foram respondidas. Agora, te pergunto: por que as coisas são assim? Por que? Não queria nada se soubesse que não o teria mais por perto. Não que eu me arrependa. No fundo, não consigo me arrepender de ter vivido. Eu sorri tanto! Ando até me estranhando. Eu sorria mesmo. Por que agora não consigo mais isso? Não quero ser esquecida. Pior, não quero esquecer você. Tenho medo de esquecer você. De esquecer o som da sua voz. Do jeito como sorri. Não quero que vire poeira. Que seja apenas um rosto em fotos que acabarei vendo daqui um tempo. Sinto apertos terríveis só de imaginar. Acabou, ok. Eu vou ficar bem. Quero que você seja feliz. Como quero. Quero que viva, que tenha tudo que merece. E você merece tanto. Não queria parecer uma pedinte, mas será que seria demais pedir para não me esquecer? Não deixar que meu rosto seja apenas um rosto nas suas fotografias daqui um tempo. Eu vou ficar bem. Vou mesmo. A música acabou. Desculpa mais um desabafo. Eu precisava escrever.

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